terça-feira, julho 18, 2006

Ôh, não...De novo não...

Juro que pensei tinha se esgotado... Já tinha até esquecido. Aí, mal o Tom Hanks aparece na tela encarnando o Robert Langdon - com um penteado ridículo - começa tudo outra vez. Me é simplesmente insuportável essa “polemiqueta” nível Z em torno d’ “O Código Da Vinci” ... De um lado uma reca de fanáticos medievais mais preocupados com a vida privada de Jesus que com sua mensagem original... Do outro, a multidão de desesperados por conspirações que venham a ocupar lugar em sua visão vazia da vida. Puta que o pariu... Ta escrito bem grande na merda do livro a palavra “ficção”. Somente um profundo retardado mental - ou fã incondicional de Zidane e sua corriola - pode pensar a sério que as dinastias da realeza francesa e suas “frangagens” cortesãs possam remontar a uma linhagem que chegaria ao Cristo. Por outro lado não vejo em nenhuma página da obra algo que venha a denegrir a imagem pessoal de JC nem muito menos sua OBRA, que, diga-se de passagem, TRANSCENDE SUA PESSOA. Portanto, me irritam profundamente as discussões em torno do tema. De repente começam a aparecer Historiadores e Arqueólogos em tudo quanto é mesa de bar se arvorando conhecedor e merecedor dos segredos do Medievo Europeu tendo por bibliografia de base o Dan Brown... Ora, tenham paciência. Pior que isso é ver uma chusma de mentecaptos a dissecar o tema desta vez empunhando tão somente a porra do filme. Esses mal se dão ao trabalho de ler uma bula de remédio e um ou outro outdoor que se encontre em sua linha de visão. Para eles um livro seria o equivalente a uma sessão de tortura nas câmaras negras da Inquisição... Ainda bem que filmaram a coisa senão eles passariam batidos.
Gente de litaratura não pode se prender a uma boa narrativa. Exige-se beleza de forma (odeio termos vagos como “beleza”... mas fazer o quê??). O Saramago faz isso muitíssimo bem. Em outro plano, gosto da forma como o Pressfield se comporta com a pena na mão... Isso me remete à “Tempos de Guerra” onde este último narra de forma envolvente as peripécias de Alcebíades numa Grécia já morta.

...do tempo
“... As estações fluem tão iguais, que um homem não se dá conta das alterações que sofreu até observá-las no aspecto de um camarada que ele não viu nos anos que passaram... Como é que a barba do amigo pudera ficar tão grisalha e aquelas cicatrizes todas apareceram nos seu membros? Perguntas sobre irmã, mãe, esposa ou filho, provocam o mesmo silêncio como resposta. Logo cessavam todas elas. Um fitava os olhos do outro e lia naquele vidro a perda que também ele trazia nos seus, embora não a visse...” (pgs 127-128)

...do soldado
“...Sua vida é dominada pelos líquidos. Água, de que precisa para não morrer. Suor, que lhe pinga da testa e lhe escorre pelas costelas. Vinho, de que necessita ao final da marcha e no começo da batalha. Vômito e mijo. Sêmen, que nunca lhe falta. O penúltimo, sangue, e por fim, lágrimas.” (pg 99)

Tudo bem. O Steven Pressfield não é nem nunca será um Joyce. Mas ele transcende a mera condição de “escritor pop” ao construir suas tramas e oferta-las em uma embalagem mais ou menos cuidadosa. O Dan Brown não... Ele é meramente um contador de histórias. E mesmo assim tenho lá minhas duvidas. O “Código” é uma boa história. Vamos e venhamos: tem uma cadência legal. Mas é só isso e pronto. “Anjos e Demônios” ja é meio morno. “Ponto de Impacto” e “Fortaleza Digital” são duas grandessíssimas bostas sob todos os ângulos. Em síntese: O Brown tá fodido. De bobeira achou uma trama envolvente no “Código” e agora vai ter de parir algo parecido. Alias, acredito que ele nem perde um minuto de sono se sonha todos os dias com sua conta bancária que aumente de forma proporcional ao numero de discussões idiotas em torno do tema. ...E eu que achava que esse tipo de coisa estava superada depois de “A Última Tentação de Cristo” e “Je Vous Salue Marie”... (longo suspiro).
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Um comentário:

Anônimo disse...

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