Tem um lance muito engraçado quando se é fã e o assunto é música. Você gosta de um monte de gente e fica imaginando como seria se eles formassem uma banda. Semanas passadas uma grata surpresa. Desde muito cedo me fascinava a voz intrigante do grego Demis Roussos. É o cara de "Rain and Tears" que estourou por essas bandas do mundo por volta dos inicios de 70. Em paralelo sou fã incondicional de outro grego responsável por trilhas inesquecíveis de filmes como Blade Runner, Carruagens de Fogo, Antarctica, 1492, Cosmos e outras tantos Pois bem. Fuça pra lá, fuça pra cá e vem a bomba. O Demis Roussos e o Vangelis formaram uma banda de rock progressivo já no ocaso dos anos 60, de nome Aphrodite's Child. A própria "Rain and Tears" estava mesmo no primeiro disco datado de 1968 (O "End of the World", capa em cima a direita). Rapaz. Que grata surpresa. Para os que nao se lembram da canção coloco o link para download. Destaque? o cravo do Vangelis e a voz "estranha" do Roussos.
quinta-feira, agosto 05, 2010
OPAAAAAAA....eles formam uma banda
Tem um lance muito engraçado quando se é fã e o assunto é música. Você gosta de um monte de gente e fica imaginando como seria se eles formassem uma banda. Semanas passadas uma grata surpresa. Desde muito cedo me fascinava a voz intrigante do grego Demis Roussos. É o cara de "Rain and Tears" que estourou por essas bandas do mundo por volta dos inicios de 70. Em paralelo sou fã incondicional de outro grego responsável por trilhas inesquecíveis de filmes como Blade Runner, Carruagens de Fogo, Antarctica, 1492, Cosmos e outras tantos Pois bem. Fuça pra lá, fuça pra cá e vem a bomba. O Demis Roussos e o Vangelis formaram uma banda de rock progressivo já no ocaso dos anos 60, de nome Aphrodite's Child. A própria "Rain and Tears" estava mesmo no primeiro disco datado de 1968 (O "End of the World", capa em cima a direita). Rapaz. Que grata surpresa. Para os que nao se lembram da canção coloco o link para download. Destaque? o cravo do Vangelis e a voz "estranha" do Roussos.
domingo, julho 11, 2010
eletrificaram o sexo
"""ORGASMO TRIFÁSICO
Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens, muito menos. Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado.Orgasmo masculino não! É aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa. Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto. Acompanho de perto, aliás, juntinho, este latejante tema.Vi, outro dia, no programa do Jô Soares, uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Walita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica. Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela "Periquita" na hora do orgasmo, e chegou à ncrível conclusão de que, na hora "H", a "perseguida" dispara uma descarga de 250.000 microvolts. Ou seja, cinco "pererecas" juntas ligadas na hora do "aimeudeus!" seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num Fusca com a bateria arriada.
Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, carregou.É preciso ter cuidado porque isso não é mais "xibiu", é torradeira elétrica!E se der um curto circuito na hora de "virar o zoinho", além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a lingüiça torrada. Pensei: camisinha agora é pouco, tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora "H", não tire o tênis nem pise no chão molhado.
Pode ser pior! É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu "biscoito" lá na canequinha de sua namorada, perguntar: é 110 ou 220 volts? Se não, meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar "ovo frito no café da manhã".
Esse país não melhora por absoluta falta de criatividade… São as mulheres, a solução contra o apagão."""""""
sexta-feira, julho 09, 2010
Alceu... o amplo leque do moleque
O disco foi gravado em 1987. Em "Leque Moleque" Alceu Valença começa a depurar seus experimentos anteriores. E fica o crème de la crème de sua arte neste que reputo um dos seus melhores albuns. Guitarras e sintetizadores... violas e pífanos... poesia e poesia. A penúltima faixa ouvia eu em fim dos 8Os a quase furar meu vinil. Esses dias pinço "Íris" e tento ouvi-la com outras "oiças'. Não dá. É aquele tipo de peça que você ouve pela primeira vez, forma uma opinião, coleciona sensações que ficarão gravadas no seu DNA de forma indelevel, imune ao tempo e as metamorfoses pessoais. Progressivo puro, viajante e com forte condimentos nordestinos. Aquela viola saindo por tras do segundo verso e bailando sobre um piso de sintetizadores realça sobremaneira os dizeres belamente talhados...quando vieres caçaremos arco-íris
e borboletas para tu se distraires
e so importa que eu delires e tu delires
ôh Íris..."
faça um favor ao seu coração... clique ai embaixo e desça a música...
"Íris" - download
quinta-feira, julho 08, 2010
quarta-feira, julho 07, 2010
vuvuzelas interditadas
""" Nova Zelândia veta vuvuzelas em jogo de rugby contra África do Sul
'Não se trata de ir contra as vuvuzelas, mas zelamos pela comodidade dos espectadores', explicou Tracy Morgan, gerente de vendas do estádio Eden Park.
'Se você está sentado no estádio e alguém começa a soprar uma corneta em sua orelha, provavelmente não poderá desfrutar o jogo', acrescentou. """""
salários
Leio determinado artigo na Folha On Line acerca da escolha do novo técnico para a Seleção Brasileira. Já de saco cheio da pendenga, me deparo com uma frase que carrega informação curiosa (pra dizer o mínimo). Olha só o que andam recebendo esses senhores:e eu cá, contando minhas moedinhas...a vida não é uma merda?
(heheheheh)
terça-feira, julho 06, 2010
penas amarelas... a seleção do "que pen(t)a"
Como é conhecida a seleção de futebol da Itália? Squadra Azzurra, (“O Esquadrão Azul”). E a seleção espanhola? La Furia ("A Fúria")... os uruguaios? “A Celeste Olímpica”... os franceses? Les Bleus (“Os Azuis”)... a seleção holandesa? “A Laranja Mecânica”... E Gana? “Os Estrelas Negras”...E Camarões? “Os Leões”... O selecionado sul-africano? Bafana Bafana (“Os Moleques”)...
Legal não é?
Pois bem...o Brasil? ... ... ...“A Canarinha”

Quem diabos inventou essa porra de “Canarinha”???
Caralho, não podiam pegar um passarinho maior não? Quando a gente tá ganhando até que vai...passa a noção de uma “humildade poderosa” que mesmo assim ainda parece piegas....
Porra, um “canário”?? Parece o Twitter ou o Piu-Piu...Alias, nao sei como nao adotaram o Piu-Piu como símbolo...Era quando eu me mudava pra Argentina e passaria a fã incondicional do Maradona.
E não me venham com essa de “...pois é... mas somos penta...”....
Sim. Concordo. Mas um “canário penta”, porra??? UM CANÁRIO...O diabo de um canário...
Não é o lance do tamanho...É a cara do dito amarelo e penoso bicho... Porque não um papagaio?...Taí...um papagaio... Malandro como o brasileiro (lembram das anedotas??). Mas esse não cola mais pois que a Ana Maria Braga já pegou o bicho pra ela (fosse eu presidente da "Associação dos Papagaios, Araras e Correlatos," processava a apresentadora azêda por atentado a dignidade ornitológica).
Mas escolheram a merda de um canário. Aquela coisinha miúda, trancada dentro de uma gaiola, condenada a passar a vida toda trinando para o deleite de um imbecil que o enfiou nas grades em crueldade requintada.
Alguém pode falar que tem briga de canário... ou canário de briga... Ora, me poupe. Coisa mais ridícula. E como diabos o cara assiste uma briga de canários? Com uma lupa? E no capeonato mundial de briga de canários, se o cara estiver na arquibancada, vai ver o quê?
Pôxa... não tinha um bicho amarelo maiorzinho ou de mais moral não? Sei lá... não sou especialista na fauna sul-americana, mas quero crer que exista algo mais, digamos, imponente que o diabo de um canário. Mesmo o mico-leão-dourado (que de dourado só tem o nome) é melhor que a merda do canário. E do jeito que vem jogando as últimos seleções brasileiras, acho o mico-leão-dourado muito apropriado... andamos pagando micos suficientes pra perpetuar a espécie quase extinta desses resplandecentes símios.
Mas tem jeito não... Já pegou e o jeito é me acostumar com a bosta do canário... Um canário...puta que o pariu, um canário... e achando pouco ainda colocaram no diminutivo: A Canarinha... no diminutivo
A porra de um canário anão e complexado...
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sábado, julho 03, 2010
NOBREZA
eu continuo na copa...


rivalidade justificada
Vou falar por mim...Ledo engano incorrem aqueles que vêem a Argentina como um hermano latino-americano. Não é a toa que Buenos Aires é conhecida como a “Paris das Américas”. A história recente da Argentina conhece um processo de europeização que, segundo alguns autores, ocorreu de forma proposital como medida de uma elite que tentava reproduzir valores “metropolitanos” na "província colonial". É claro que o camponês, o militante que sofreu nas garras de uns tantos Galtieris ou o soldado anônimo que gritou de dor na insana aventura nas Malvinas-Falklands, nada tem a ver com isso. Mas o perfil que ficou do argentino é o do cara com ares superiores, uma arrogância típica de noveau riche. Esse desenho foi reproduzido no futebol.
Veja bem. O Uruguai nos tirou a copa de 50, na inauguração do Maracanã, em um jogo traumático. Nunca reproduzimos rivalidade com a Celeste. E olha que os uruguaios, até um dia desses, eram conhecidos por jogo sujo. Batiam sem dó. Mas não guardo rancores. Vou mais além. Torci com a Celeste contra Gana e cá estarei eu acendendo velas pelo tricampeonato dos, esses sim, hermanos (lembrem-se que o Uruguai foi uma província brasileira que conseguiu sua independência política na gestão patética de D. Pedro I).
Mas voltemos ao futebol e à Copa do Mundo. Minha aversão à arrogância porteña se acentua toda vez que olho pra figura do Maradona. Um gênio em campo? Não sei. Não entendo de futebol. Mas vou me acostar ao juízo de quem realmente sabe das coisas. Aceito o Maradona como uma prima dona dentro das quatro linhas. Mas fora delas... A figura do Maradona me é simplesmente bizarra. Suas declarações poderiam ser engraçadas se não fossem ofensivas. Sua postura diante das coisas da vida, um acinte. Nesta copa então ele se superou. Para que tática quando se tem os melhores do mundo? Parece que esse é (era?) o pensamento do Bufão. Senhor Diego Maradona. Pouquíssimos times ns historia do campeonato mundial puderam esquecer a tática em função do talento individual. Os selecionados brasileiros dos três primeiros títulos podiam fazer isso. Mas, Senõr Diego, seu plantel não podia se dar a esse luxo. Acreditou-se que sim. Messi e companhia estariam acima da organização, da tática, do planejamento. Beijinhos, festinhas e declarações arrogantes pareciam elementos essenciais e únicos para o sucesso. Típico do latino-americano. Nesse momento, o argentino é tipicamente latino-americano.
Lá vem a Alemanha. Não existem estrelas ali. A única, o Balack, ficou de fora. O Klose... nao sei ....Um time que poderia ser o da ONU se observadas as origens do elenco alemão. Polônia, Tunísia, Gana, Turquia e até Brasil, lá estavam debaixo do uniforme preto (que eu gosto pra caralho...parecem os All Blacks do rugby neo-zelandês). Não que essa mistura étnica referende a sociedade alemã como tolerante. Antes disso, as comunidades imigrantes são consideradas de segunda, lá na Germânia.. Mas o assunto é futebol.
E lá vem o lúdico superior porteño saindo do túnel. O Bufão puxa a troupe para o aquecimento. Queixo pra cima, sorriso irônico no rosto. Passam-se os minutos. Começa a partida. Mais uma vez a frieza das góticas terras geladas em campo. Uma máquina funcionando perfeitamente, a Alemanha. Cada jogador uma peça pensada para determinada função e perfeitamente articulada com as demais. Ou seja: técnica pura. Diretrizes perfeitamente executadas... BELISSIMAMENTE EXECUTADAS. Futebol tático e BONITO...Interessante ... os conceitos podem conviver numa legal...
Do outro lado, o sangue quente (resfriado ligeirinho pelo gelo germânico), dependendo exclusivamente da intuição individual. 1,2,3,4 gols. Em todos eles eu berro, pulo, gesticulo. Não é somente a rivalidade. É a derrota de uma postura.
Eu daria tudo pra ser o Schweinsteiger, jogador alemão, no dia de hoje. Tempos atrás, não sei em que ocasião, terminado determinado evento esportivo, senta-se para a entrevista coletiva o Maradona e o Schweinsteiger, este último ainda não tão conhecido. O Maradona reclama por estar sentado ali. O jogador tenta falar com o “deus” que o ignora. Maradona chega a dizer que esperaria o jogador falar e depois ele falaria sozinho pois que pensava que tais entrevistas seriam somente para técnicos. Esses dias que antecederam o 4 x 0 de hoje, o Schweinsteiger lembrou da ocasião e disse a imprensa que Maradona ainda iria se lembrar dele. Dias antes o Maradona soltou essa pérola da ironia: «Que se passa Schweinsteiger, estás nervoso?»... Eu daria tudo pra ser o jogador alemão hoje...Somente pelo curto instante de poder me dirigir ao técnico argentino e pedir-lhe um autografo...De posse do documento, olhar nos seus olhos e declinar toda minha admiração: Como técnico e como pessoa humana, ele é um genial jogador de futebol, o Bufão.
Em tempo. Não se pode dizer que o Maradona nao tem consciência solidária. Ele contribui em muito com a economia do continente consumindo charutos cubanos numa bizarra caricatura de Che. (ele adora passear em Cuba... deve ir lá cortar cana...) Também impulsionou o mercado boliviano cheirando toneladas de sua cocaina.
Em tempo 2: comer meleca parece que funciona como dieta esportiva. Lembram-se do técnico alemão, Joachim Löw, dedo do nariz pra boca? Ele parece que gosta mesmo de comer meleca. Hoje ele comeu o Maradona
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sexta-feira, julho 02, 2010
Suco de laranja em excesso = AZIA
O Diego Nogueira não me deixa mentir. Ontem a noite conversávamos sobre, dentre outros, copa do mundo. Eu repetia para o Diego meu temor ante o jogo das quartas contra a Holanda. Dizia eu no momento o que martelava desde o fim das rodadas iniciais: a instabilidade dos desempenhos. Não pela falta de talento (tínhamos e temos de sobra). Minha dúvida também nao se remetia a uma possível inconsistência da comissão técnica. Fui e continuo sendo fã do Dunga. Admiro sua coragem, até mesmo seu destempero. O que me deixava profundamente temeroso era a FRAGILIDADE PSICOLÓGICA DO GRUPO. Hora bem, hora ruim. Momentos de soberbo futebol seguidos de mediocres desempenhos. Não via frieza e cálculo na seleção. Altos e baixos se sucedendo de forma incomôda e perigosa. As limitações dos adversários iniciais permitiu a classificação para as quartas mas colocou em evidência o problema E quando se peitasse um adversário de respeito?O jogo de hoje contra a Holanda foi emblemático. Um primeiro tempo fantástico. Tomado o primeiro gol, a completa falta de equilibrio do grupo leva ao desastre. E não me venha com essa de "perdemos mas somos mais time". Uma equipe esportiva deve contar com talento e capacidade de gestão de situações. Esse último traço, no caso da Canarinha, é pífio.
1 - espero pra ver o Uruguai e Gana torcendo abertamente pela vitória uruguaia, mesmo ciente que campeões nao serão. Bom ver a "Celeste" ressucitada (a mesma "Celeste" que adorava bater e distribuia porradas a granel)
2 - amanhã, torcida pela Alemanha. Gosto e sempre gostei da frieza dos caras. Do outro lado a arrogância argentina comandada pelo Bufão. Um belissimo 2 a 1 para os germânicos ja me faria certo bem ... mas vai ser difícil... vamos ver...
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quinta-feira, julho 01, 2010
ATENÇÃO...Quem se propuser que fique esperto...
Olha aí, moçada. O homem vem ao Brasil e o rojão deve ser esse mesmo. Portanto quem pensar em carimbar presença, fique esperto.

O concerto de Roger Waters no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, a 21 de Março do próximo ano já se encontra esgotado, avançou a produtora Ritmos e Blues há momentos. Os cerca de 16 mil ingressos desapareceram em menos de um mês.
A BLITZ tinha dado conta, há cerca de um mês, que uma segunda data estaria a ser programada e, segundo informações oficiais, estão a ser feitos esforços para marcar mais um concerto em Lisboa. As novidades são esperadas "brevemente", lê-se no comunicado.
Recorde-se que Waters vem a Lisboa apresentar o espetáculo de celebração dos 30 anos da edição de The Wall, um dos álbuns mais reconhecidos da sua ex-banda Pink Floyd."""""
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terça-feira, junho 29, 2010
O Clã e o Brasil (escrito em um momento de tempestuosa fúria) --- REPOSTANDO
casa da D. Dione fica exatamente defronte à Estação das Artes, o arraial das juninas mossoroenses. Na verdade é atravessar dez metros de rua e já se encontrar na calçada do dito espaço. São dois palcos (principal e secundário) onde se revezam as atrações. Em sua imensa maioria, esses ditos atrativos se remetem ao forrozinho vagabundo de bandas de quinta do naipe de Forró Sacode, Aviões, Balanço de Menina e outras bostas. Salvam-se um ou dois. É o caso do Flávio José. E é o caso das meninas, aliás, da família Clã Brasil que nesse exato instante toca quase em cima de nossa calçada. De imediato o que chama atenção é a extrema simpatia e beleza das moças. Antes que o coração engrene a bater rápido a respaldar suspiros , essas mesmas senhorinhas oferecem o ritmo para a taquicardia: baião de primeiríssima qualidade, enlevante, arrebatador envolvido por uma execução perfeita. Ternura nas vozes bem colocadas mas sem perder nunca a firmeza das batitas extraidas do mais fundo dos tabuleiros, das trilhas inóspitas da caatinga. Uma palavra: tocanteMeu Deus... isso não é um país. É o cú do mundo. Êita povinho de merda...Êita povinho vagabundo, descartável, desprezível, fedorento, burro, feio, um monte de carne amorfa aproveitavel para mão-de-obra barata e outras atribuições impublicáveis. Morro de arrependimento por um dia ter perdido um tempo enorme nas ruas e praças em utópicas passeatas de “poder para o povo”.... Uma porra, o poder para o povo. Esse povinho meleca está muito bem comendo uma ração diária que lhe permite manter sua mediocridade respirando, o que se demonstra um escandaloso gasto de oxigê
ni. Gostaria que os deuses de qualquer Olimpo me premiassem com a grana necessária para passar ao largo desses redutos de nojentas criaturas e suas músicas sebosas e inconsequentes, sua alegria pífia, plastificada e flatulenta.O Clã Continua tocando. Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, João do Vale, Zé do Norte, Gilberto Gil, Vandré. O ritmo não permite ficar parado. Os arranjos são super elaborados mas perfeitamente compreensíveis. E só tem uns gatos pingados lá olhando. Pudera. O Clã é bom gosto. O Clã é alegria. O Clã é gente bonita. O Clã é competência. O Clã Brasil é a dignidade e a altivez de uma cultura em extinção, assassinada pela indiferença, pelo descaso de uma população retardada e néscia, embriagada por valores suinos espargidos a granel por uma Mídia indecente, venal, corrupta e dirigida por gangsters.
Agora me enche o quarto onde furioso escrevo os acordes e as vozes maravilhosas das meninas destrinchando o “Baião da Penha” como numa oração de esperança. Esperança vã e pálida pois que a salvação de tudo fica nas mãos imundas do povo. Esse mesmo que centenas de anos atrás era percebido em toda a sua insensatez por Giordanno Bruno, que tascou:
Mas me deem licença. Vou deitar-me na rede e continuar a ouvir o Clã. Tenho de fazê-lo. Bebê-lo com avidez. É que em breve volto as margens do Açude Grande. E nesse arraial a atração principal é o Bonde do Maluco. Rogo desesperado aos deuses do bem que não permitam que me arrastem pra grandessísima bosta que vai ser, um sacríficio perdido no altar da socialização.
(Mossoró, junho de 2008)""""
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segunda-feira, junho 28, 2010
Vuvuzelas
domingo, junho 27, 2010
inconveniente
Daqui a instantes um dos jogos mais aguardados dessa Copa (pelo menos pra mim). Alemanha e Inglaterra pisam o gramado em busca de uma vaga para as quartas de final. Minha ansiedade pela partida se mistura com indignação. A torcida inglesa deu o tom com uma musiqueta que relembra três derrotas da Alemanha. Na duas Guerras Mundiais e em uma outra copa onde os germânicos foram obrigados a tomar o chá das cinco dos ingleses. A imprensa compra a idéia gerando o que acho um quadro de profundo mal-gosto. Claro que as guerras nao devem ser esquecidas. Mas que fique o encargo com a História. Usar os dois conflitos mundiais como forma de incrementar rivalidades esportivas é de uma pobreza sem limites. Além do quê é de se respeitar a dor que assolou toda uma geração, em ambos os paises. Nessas horas invejo o Dunga e sua capacidade de bater de frente com o lado negro dos que fabricam audiência na base do sensacionalismo inescrupuloso e desumano.quarta-feira, junho 23, 2010
pertinência
Dado que não há canais legítimos lá fora, acho que seria muito ingênuo da minha parte me opor (…). Ontem no almoço, Zoe Heller, grande autora e muito inteligente, veio até mim e disse: “Alguém me deu esse livro e são umas pessoas que acham que os livros devem circular e quando você termina de ler deve dá-los a alguém. E não sei o que pensar disso, porque de certa fo
rma eu sobrevivo das pessoas comprarem novos livros.”E eu disse: Zoe, nenhum de nós descobriu seus escritores favoritos comprando seus livros. Não é como isso acontece. Vocês aqui. Você provavelmente tem um escritor favorito. E a resposta é que vocês descobriram seu escritor favorito quando alguém disse: “Tome, eu acabei de ler esse livro, é bom e você vai gostar”. Ou você pegou o livro da prateleira de alguém e disse: “Isso parece interessante. Posso pegar emprestado?” Ou você encontrou na biblioteca. Ou alguém esqueceu no trem.
É assim que as pessoas descobrem seus escritores favoritos. Não o descobrem entrando numa livraria e dizendo: “Vou comprar este livro novo de capa dura!” Acaba sempre acontecendo que novos autores e autores famosos começam sendo descobertos acidentalmente quando você tropeça neles. E são como aquela primeira dose de heroína e sem perceber você está descendo a rua para comprar tudo o que aquele cara já escreveu.
E até onde me interessa, qualquer maneira de fazer os livros circularem é legítima. Eu amo o fato das pessoas estarem dando livros que de outra forma ficariam esquecidos em uma prateleira. E certamente eu não acho que algum desses leitores seja uma venda perdida. Porque da minha perspectiva o inimigo não é a idéia de que as pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem.
Qualquer pessoa lendo algo de graça da internet ainda faz parte da minha tribo. A tribo das pessoas que lêem. E se eles passarem adiante por fazerem parte dessa tribo eles querem esses livros para si. Eles vão querer os livros de verdade. Eles vão querer comprar as versões de capa dura. Eles vão querê-los. Porque eu quero. E isso é uma coisa boa."
Confesso que ao assistir fiquei surpreso e contente por um escritor de tamanha envergadura apresentar uma opinião tão coerente e sensata. Então o autor do Sandman seria um socialista despreendido? Claro que não. Segundo ele, ninguém conhece um novo autor indo a uma livraria e comprando um livro desconhecido. As pessoas conhecem seus autores primeiro lendo de graça, por indicação de um amigo, pegando na biblioteca, etc. Depois, elas certamente desejarão adquirir o livro impresso.
Certo barões da indústria acreditam que cada download é um exemplar que deixa de ser vendido. Quanta miopia. Estão há décadas no mercado e ainda não nos conhecem. Não sabem que para nós um livro é mais que um amontoado de letras que pode ser digitalizado e lido sem pagar nada. Não sabem que nossos livros têm valor sentimental e simbólico. Que cada exemplar que conseguimos comprar é como se materializássemos um pedacinho de nós mesmos para colocar na estante. Será que alguém convida os amigos para, orgulhosamente, exibir seus últimos livros baixados da internet? Ou sonha com o momento de ler sua coleção de livros piratas para seus filhos? Ou, ainda, presenteia uma pessoa querida com um livro em PDF e com uma dedicatória escrita no corpo de texto do e-mail? (fan-tás-ti-co... chilique meu)
Assim como Neil Gaiman, penso que se suas condições econômicas permitirem, as pessoas comprarão os livros que amam. E se elas não gostarem, não vão comprar. Afinal, porque não podemos cuspir parte do que sempre nos empurraram goela abaixo? Acredito que os livros da internet são capazes de estimular a venda de livros impressos, formar novos leitores e despertar o prazer pela leitura, que é como o prazer do sexo: o virtual até pode quebrar um galho, mas nada substitui o toque, o cheiro, o estar perto. E nada substitui a sensação de possuir.""""
sexta-feira, junho 18, 2010
Letras em Luto: morre Saramago
+2010
insuportável série "Crepúsculo", goza
de excelente saúde
quinta-feira, junho 17, 2010
Uma constelação sem estrelas (talvez por isso mais brilhante)
Olha que posso estar exercendo minha indefectível mania de falar besteiras, coisa quase axiomática quando meto o bedelho onde não me cabe. Futebol nunca foi minha praia mesmo. Respeito o esporte bretão-tupiniquim, reconheço sua envergadura no universo cultural verde-e-amarelo, mas não vou muito com a cara do dito. Sou muito honesto pra reconhecer a coisa como uma falha grave de avaliação. É que não consigo separar o joio do trigo. Não consigo ver como independentes o objeto e o mal uso que se faz do mesmo. O futebol, per se, enquanto atividade esportiva, é uma coisa fantástica. Gosto, por exemplo, do tempo dedicado às pelejas. São noventa minutos (isso sem prorrogação) onde as coisas podem acontecer sem o afogadilho de um jogo de basquete. O lapso de uma partida permite o teste não somente das capacidades físicas e técnicas dos envolvidos mas também põe a prova seu preparo emocional e psicológico. Um time com um primeiro tempo sofrível tem possibilidade de reverter sua situação na etapa complementar a partir de um processo de superação que pode partir de um belo esculacho (psicologia de choque???) proferido nos recônditos do vestiário por um colérico treinador. Repito, mesmo não sendo meu esporte favorito, tem o futebol minha admiração.Como disse, meu pecado é não saber separar as coisas. No caso do futebol me deixa puto da vida o que para alguns é uma paixão a se admirar. Me irrita o uso alienantemente distorcido (não por culpa do esporte em si, fique claro), que toma forma indelével aqui nas terras de mãe-preta-e-pai-joão. Lembrem do tricampeonato em 1970. O país afogado em dores e males e a população feliz como se possuísse cidadania sueca. A alegria da rede balançando encobria os corpos esquálidos de fome e doença que grassavam em outras redes Brasil afora. E daí, se o meu time ganhou? Isso me tirava e tira do sério. Resultado: nunca me envolvi muito com bolas e gramados. E quanto aquela mesa enfiada em um boteco, cercada por um monte de machos (enfiados em "elegantíssimas" camisas de times), com a boca cheia de farinha que espargem uns nos outros junto com pedaços de linguiça quando urram a plenos pulmões de olhos esgazeados para uma TV, é a visão da ante-sala do purgatório.
Contudo, jamais me furtei de acompanhar os Campeonatos Mundiais, coisa que faço com alma e dentes. Desde que me entendo por gente, mal aparece o vislumbre de uma Copa do Mundo no horizonte, passo a correr feito louco atrás de fontes que me tirem do atraso informativo e me possibilitem acompanhar o certame internacional com um mínimo de base e conhecimento. Assisto tudo que é partida, e, como todos, sempre escolho um selecionado alternativo, aquele que simpatizamos junto a Canarinha. Lembram da seleção de Camarões, nos bons tempos do Roger Mila?
Ocorre que nesta edição do campeonato mundial tenho estranhado a falta ou a palidez dos chamados “craques”. Sempre contamos com a presença deles, seus nomes e figuras claras, quer fossem ou não unanimidades. Precisa voltar ao tempo do Pelé não. Sócrates e Zico ilustram bem a coisa. Mais recentemente, e por que não, a pessoa controversa do Romário ou do Ronaldo. O fato é que sempre elegemos aquele que poderia decidir tudo, em quem depositaríamos nossas ultimas esperanças quando a vaca começasse a olhar o brejo com familiaridade. Ando preocupado pois que não percebo na África do Sul nada parecido com o exposto. Fala-se de um ou de outro. Kaká e Robinho, seriam esses?
Eu sei, eu sei que unanimidade nunca existirá quando o assunto é futebol e a discussão enlace a torcida brasileira. Mas se observamos direitinho, percebemos que tempos atrás dispúnhamos de algo que, se não batesse o unânime, chegava bem perto. Não vejo isso nesta copa.
Mas perceba o amigo(a) leitor(a) que o fato quero creditar ser bem positivo. Que tira muito a graça de coisa, áh, isso tira. Mas por outro lado a gente começa a encarar o selecionado como um grupo, uma equipe e não um séqüito a servir nobres desportistas que no decurso da competição demonstram que não valem o dinheiro gasto com as passagens. Esse filme a gente já conhece bem, não é mesmo?
Atribuo ao Dunga essa situação meio que nova pra gente aqui da arquibancada. Lembro das criticas ácidas despejadas sobre o gaúcho mal encarado quando ainda era jogador. Falava-se que era um bruto, sem nenhuma técnica, mais força que poesia com a bola nos pés. O fato é que eu adorava o Dunga. Achava o máximo os berros que ele distribuía em campo quando não ia com alguma situação. Podia não ser um brilhante jogador. Longe estava da sutileza de um driblador, do brilho ofuscante de um craque frente ao apavorado arqueiro. Mas meu amigo, qualquer adversário com a bola nos pés que olhasse pra traz e percebesse aquela careta em desabalada carreira em sua direção, começava a pensar se fez à escolha certa ao seguir a carreira do futebol. O Dunga era o “delegado” do pedaço (me perdoe o Ricardo Rocha, apelidado “Sherife”).
Essa postura o homem trouxe à sua carreira de técnico. O Dunga escolheu um selecionado “seu” (andou dizendo isso recentemente não foi?). Estrelas não o impressionam. Currículos, por si só, não tinham poder de determinar quem ia e quem ficava. E como ficaram astros (decadentes ou não), a chupar o dedo...
O fato é que não percebo “heróis” neste selecionado. Entro pela primeira vez em uma Copa do Mundo pra ver o Brasil jogar e não pra conferir o show de um ou outro, coisa que me levava às raias do ódio quando me deparava com o fiasco dentro das quatro linhas. Mas, como dito antes, posso estar mais uma vez metendo o bedelho onde não me cabe. Mas quer saber de uma coisa? Sou brasileiro, o televisor é meu, pago a conta de luz e as cervejas. Então posso falar as besteiras que quiser...desde que, sem estrelas, voltemos da África com mais uma na camisa.
o supra-sumo da imbecilidade
como eu acho?
terça-feira, junho 15, 2010
GOD SAVE THE QUEEN
A emissora pública recebeu 220 queixas e, segundo informou o jornal inglês "The Guardian", embora tenha o desejo de refletir o ambiente dos jogos, ela já estuda a possibilidade de transmiti-los de modo que quase não se ouça o som da corneta. """""
segunda-feira, junho 14, 2010
poesia e saudades aladas nos céus de cajazeiras
com os dentes
Roer raízes e cordas
Encher o peito até doer
e voar, voar apenas
para cima, subir,
depressa
mais e mais, sem ouvir,
sem sentir,
sem sequer pensar
e sem nunca mais voltar!"
Escrevendo agora, me bate certo incômodo. Quando miúdo remexia um monte de fotos dessa figura que não conhecí mas que tão lembrado era em minha casa. Mamãe falava com um carinho imenso de Valdir. Cadê esses antigos "instantâneos"?? Largo o micro e, desde a morte de mamãe, abro umas caixas que ficaram sob minha guarda após os recentes passamentos. Acho as fotos. Deixo aqui algumas
1951, na praia, Tio Valdir (o de óculos). Aqui acredito que esteja escanchado em uma Indian. Tetim (meu tio-avô Eduardo, esposo da recentemente falecida Tia Dejamira) possuiu uma delas (e mais umas duas Harleys 1000 cc) e me falou uma vez que ele - Valdir - foi feliz proprietário uma clássica Indian
Não se assuste. Esses moços estão cobertos de ÓLEO... Era o trote aplicado àqueles que tinham passado nas provas de aviação e estavam prontos a receber o brevet de piloto. Tio Valdir é um desses na foto. 
Aqui imagens do monomotor em que voavam Tio Valdir e o seu colega Edson Saboia. Imagens capturadas logo apos a tragédia que vitimou os dois. O fato era que me fascinavam as asas e o som dos motores. Fim de semana era de praxe passear pelo aeroporto de Mossoró, olhando embevecido as naves que por lá estivessem descansando no chão o metal sequioso por nuvens.
Ainda no ginásio, minha mãe consegue pra mim e pelos esforços do Sargento Solon (aeronautica), velho amigo da família e responsavel pela aeródromo da cidade, um jogo de apostilas específicas para a EPCAR, Escola Preparatória de Cadetes do Ar, com sede em Barbacena, Minas Gerais. Caso fosse aprovado, deveria cumprir os três anos do antigo II Grau naquela escola, em regime de internato. Depois disso, teria garantido o ingresso na AFA - Academia de Força Aérea (Pirassununga, Sao Paulo).
Terminei desistindo de tudo, adolescente ainda. Curioso é que, olhando pra trás, não percebo a figura de Dona Dione, sempre tão presente em minhas empreitadas, dando sua cota de incentivo. Mamãe não comprou a idéia, percebo agora. Seria o espectro do ocorrido com o tio Valdir? Talvez. O fato é que terminei deixando pra lá a coisa (nao por culpa de minha mãe, fique claro). As apostilas (lembro bem das capas azuis-celeste) mantive comigo até uns anos. Depois nao sei que fim levaram.
O que motiva esse arroubo alado de saudades? Não tem mistério. Ontem, domingo, tardezinha, os céus de Cajazeiras se fizeram mais elegantes ornamentados com os Tucanos pilotados pelos rapazes da Esquadrilha da Fumaça. De novo me senti o menino que queria ser cadete da EPCAR e nao cansava de olhar pra cima toda vez que os rastros de fumaça se desenhavam nos ares mossoroensses. Pregado no chão, por instantes e assim como muitos outros, me senti o oitavo piloto naquela formação... Mais um Cavaleiro do Ar.

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terça-feira, junho 08, 2010
Nórdicos nas páginas...e nas telas

terceiro filme. De queixo caído, puto estou. Normalmente começo pelos livros e acabo nos filmes. Aqui, foi o caminho oposto. Descubro primeiro os filmes. Fodeu, pois que quando isso acontece (muito raramente) perco todo o tesão de folhear a versão escrita da coisa. O fato é que a Lisbeth vai terminar me empurrando pros livros mais dia menos dia. Que personagem... Vítima de abusos, internada ainda menina em um hospital psiquiátrico depois de ter intentado matar o pai (um grandessissimo filho de uma puta) queimado com gasolina, bisexual, fumante inveterada e uma hacker de primeira linha, a Lisbeth é a sizudez gótica de cabo-a-rabo. Dividindo o set e as atenções fica o jornalista investigativo Mikael Blomkvist (vivido por Michael Nyqvist) que ao lado da Salander mergulha por tortuosos labirintos policiais onde se misturam corrupção política e prostituição, assassinatos e crimes financeiros, tráfico e pornografia. E tudo com a finesse e a ousadia do bom e velho cinema europeu. Mas já vou me preparando pra uma raiva grande. Leio por aí que se prepara a versao hollywoodiana de "Millenium". E quem vai assumir o personagem Blomkvist será um velho desafeto meu: lá vem o Daniel Craig ( que estragou o James Bond). Não quero nem ver quem fará a Lisbeth Salander. Seja lá quem for, a pobre alma vai ter de suar as bicas pra apagar de mentes e corações o desempenho e o charm da Noomi Rapace. Vamos aguardar.* Millennium 1 - "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres". Título original: "Män som hatar kvinnor".
* Millennium 2 - "A Menina que Brincava com Fogo". Título original: "Flickan som lekte med elden".
* Millennium 3 - "A Rainha do Castelo de Ar". Título original: "Luftslottet som sprängdes".
sexta-feira, junho 04, 2010
O Cristo: gratidão
Poucos sabem de minha relação com ele, o "Cabeludo da Cruz". Educado em uma familía profundamente religiosa (mesmo os mais desaforados, como minha mãe, cumpria seus rituais), cresci acreditando e confiando no Cristo. Não sou de ficar enchendo o saco do Homem com qualquer besteira. Se eu sei pescar então que lance minhas redes... Que faça minha parte. Mesmo assim, todas as noites batemos um papinho. Quando viajo, peço uma mãozinha no que tange ao bem-estar na estrada e longe de casa. As pequenas vitórias do cotidiano, nunca esqueço de externar minha gratidão. E temos nos dado muito bem esses anos todos. É incrivel. Em todas as grandes dificuldades, antes que o pânico me tome por completo (coisa dificílima), sempre uma opção se coloca diante de mim. Esses meses todos com D. Djamira sob minha responsabilidade, não foi diferente. Os mais íntimos sabem o que passei. Passou, enfim... Nos ultimos dias mais um obstáculo se coloca.... E mais uma vez abre-se uma rota alternativa. Declinar meu reconhecimento, o meu fervoroso "muito obrigado" na intimidade de minhas noites tenho certeza que já basta. O Cabeludo não é muito chegado ao marketing pessoal. Mas ,pôxa JC, fica chateado nao, mas dessa vez quero agradecer de público todo o amparo a mim dispensado. Continuo tentando me manter reto e justo em relação aos meus semelhantes, postura que sei Você se lascou todinho pra ensinar pra gente. É o mínimo que posso fazer para sublinhar ainda mais o quanto lhe sou grato. Valeu cara...valeu mesmo....
quarta-feira, junho 02, 2010
O impensável "Unthinkable"
Se a idéia era colocar sob a luz da reflexão nossas tendências mais lúgubres, pode apostar que o objetivo foi mais que alcançado. O filme “Unthinkable”, ainda sem título no Brasil, choca e faz você flanar de um posicionamento a outro, mesmo que sejam polarmente distantes. O enredo se demonstra aparentemente simples. Um americano islâmico planta três aparatos nucleares em três grandes cidades, programados para explodir em curto prazo. Capturado pelos órgãos de segurança do Tio Sam, o terrorista (fantasticamente interpretado pelo ator britânico Michael Sheen), passa por severo interrogatório sem pronunciar uma sílaba sobre sua nefanda atividade. O tempo urge, as bombas estão armadas e o personagem resiste a indicar seus paradeiros. Perceba que são bombas nucleares capazes do extermínio de milhões. E o Martin Sheen nem aí, mais calado que um poste.
Logo de início e na frente de diversas autoridades, ele pede uma machadinha. De posse da ferramenta, em três golpes e sem mais preâmbulos ele decepa os dedos de uma das mãos do prisioneiro que berra a toda goela preso a uma cadeira especialmente desenhada para o terrível propósito. Todos os presentes na sala se horrorizam. Uma das mais indignadas com a cena (além de você que assiste ao filme) é a agente do FBI Helen Brody, interpretada pela canadense Carrie Anne-Moss que ganhou o mundo e os corações dos nerds como a Trinity, de “Matrix”. Ela vai ser o fiel da balança.
A partir desta mutilação inicial abre-se a discussão que permeará todos os frames da película. De um lado, a condenação veemente a mais que abominável prática da tortura. Do outro, o maquiavélico preceito da relação entre os fins e os meios. E segue o circo de horrores. Unhas arrancadas (com direito a close nos dedos em carne viva e as unhas espalhadas ao lado de
pinças cirúrgicas), choques elétricos, talhos nos genitais. Se você pensa que o roteiro vai facilitar sua vida e sua consciência pintando o torturador “H” como uma versão afro-americana do Marquês de Sade, pode esquecer. De determinado momento em diante o personagem começa a apresentar os efeitos que o seu “trabalho” provoca sobre sua alma. Pai dedicado (abre o filme uma cena cotidiana de família onde o Mr. “H” brinca com os filhos no aconchego do lar), o torturador vai expondo seus conflitos. Na outra ponta, a piedade que você vem dispensando ao torturado terrorista é abalada quando o dito oferece uma amostra de suas bombas, explodindo uma versão menor em um shopping center vitimando uma multidão. E ainda pronuncia um inflamado e extremista discurso.
A essas alturas você se pega completamente identificado com a personagem da Carrie Anne-Moss, a conscienciosa agente do FBI. Inicialmente confrontando o torturador, agora ela própria passa a defender seu uso, chocada com as mortes no shopping. E tome broca nos dentes e mais berros. Todo mundo já se acostumou à coisa. Até você próprio. Se o filho-de-uma-égua estraçalha crianças, pôxa, arranca logo as pernas dele e pronto. Num instante o biltre canta onde estão as bombas restantes. Resolvido. Salvamos um monte de inocentes ao custo de um ligeiro (?!) desvio ético. Sendo por uma boa causa, então, alicate no cara... A essas alturas você já virou um torturador profissional. Já começa a achar o Mr. “H” um cara simpático.
Perceba que começamos condenando veementemente a prática do suplício. Agora, já se demonstra positiva a relação custo-benefício. Mas se prepare que você vai mudar de novo de
opinão. Sem mais tempo, com as bombas prestes a explodir, Mr. “H” vai aos extremos: mata a faca e diante de todos, a inocente esposa do prisioneiro que assiste impotente a cena sangrenta. E faz o impensável (unthinkable). Põe os filhos do terrorista, duas crianças, dentro da câmara de tortura e começa os preparativos pra dedicar sua atenção às ditas crias. Pronto. De novo a indignação. Sua e de todos os outros personagens. O torturado, não resiste. Confessa onde estão as bombas. As três bombas. Contudo, Mr. “H” se recusa a parar. Trancado dentro da câmara de tortura, enquanto todo mundo do elenco tenta arrombar a porta, ele começa a prender as crianças em cadeiras. Gritos, horror, pânico. Finalmente, porta abaixo, o monstro (que você começou odiando, passou a simpatizar e agora odeia novamente) é arrastado para longe dos meninos sob uma chuva de insultos.
Ufa...Você está psicológica e emocionalmente exausto. Acabou. Sinto muito, mas não... Para o seu desespero, ainda não. É que o Mr. “H” (que a essas alturas você quer ver queimando no inferno) anuncia placidamente: O terrorista venceu. Do alto de sua experiência, o torturador apresenta os fatos. Que o torturado tinha previsto todo o andamento do processo. Sabendo que passaria por tudo aquilo, o terrorista supostamente teria plantado quatro bombas e não somente três como anunciou no inicio. A quarta seria sua garantia de uma explosão genocida. E agora sem as crianças pra torturar, não se tinha como saber da localização deste aparato de, digamos, reserva. Confusão. Parte dos personagens grita que isso seria suposição. Outra parte berra veemente “...e se for verdade?”.
O fato é que as crianças são mantidas seguras. O terrorista toma uma arma e se suicida. O FBI saí a campo para o desarme dos explosivos, sua localização indicada pelo malfeitor, agora cadáver. Os créditos finais começam a subir enquanto ao fundo aparecem agentes desarmando a terceira bomba em um prédio abandonado. Os créditos passam diante dos seus olhos. Pôxa... Ainda bem que não torturaram mais ninguém. Os créditos continuam a passar na tela. A câmera mostra o prédio abandonado, close na bomba desarmada. Alívio. Você não precisou chegar ao “impensável”. Os créditos passam. A câmera passeia pelo cenário... Fixa em um canto escuro. Lá no fundo algo brilha. É um contador, um timer em contagem regressiva... É a quarta bomba... ela existe... vão morrer milhões.... 5...4...3...2...1... A tela escurece. Fim do filme.
Eu sei, eu sei... Estraguei o filme entregando tudinho. Mas foi necessário. Que o filme leva você de um lado pra outro no que se refere aos seus posicionamentos isso ficou patente. O que me preocupa foi o fim. Você percebeu que a coisa funciona na base do vai-e-volta. Momento você aprova, outro, você desaprova em um ciclo que parece interminável. Em deteminado ponto você se pega com vergonha de si próprio. Mas o perigoso foi que a existência daquela quarta bomba que dá a Mr. “H” razão em sua suposição. Assim, não seria a utilização da tortura justificada, mesmo em seus extremos? O filme pode ser um perigoso instrumento de justificativa ideológica às práticas tortuosas empregadas pelos Estados Unidos na tão propalada "Guerra ao Terror" (onde já emprega terríveis métodos). O terrorista torturado não era a imagem da santidade. Está claro. Mas sua esposa morta ante seus olhos e seus filhos quase submetidos ao sofrimento, eram completamente alheios a situação, inocentes, pois. Três seria um número aceitável de sacrifício em beneficio de milhões? Uma matemática negra, infernal, condenável e ... unthinkable. Como a tortura.
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segunda-feira, maio 31, 2010
"Chega de Mágoa"...O "We are the World" tupiniquim
""""""A agonia pública de Tancredo paralisou e comoveu o país. Depois de sua morte, em abril, [1985] chuvas devastadoras provocaram grandes enchentes no Nordeste, deixando milhares de desabrigados. A solidária e combativa classe musical, que havia participado ativamente da campanha 'Diretas já', decidiu juntar seus talentos em um disco histórico, no mesmo formato do 'We Are the World' dos americanos, que arrecadara milhões de dólares para os famintos da Etiópia.
As estrelas brasileiras se reuniriam para gravar 'Chega de Mágoa' e o resultado das vendas seria doado aos irmãos nordestinos, flagelados não mais pela tradicional falta, mas pelo excesso de água.
Gilberto Gil fez a música, que começava como marcha- rancho e virava um reggae animado, e também parte da letra, completada por Chico Buarque e Milton Nascimento, com palpites de Djavan, Fagner e Erasmo Carlos. Mas, no espírito da época e do projeto, foi decidido que seria assinada como 'criação coletiva'.
O Sindicato dos Músicos, que assumiu a coordenação da produção do disco, convocou 155 cantores e instrumentistas para três sessões de gravação em um estúdio na Barra da Tijuca. O maestro Dori Caymmi foi escolhido para escrever o arranjo e reger a orquestra e o coro. Com uma tiragem inicial de 500 mil, o compacto seria vendido em todas as agências da Caixa Econômica, patrocinadora do projeto.
Na gravação do disco americano, o maestro Quincy Jones pediu a Bob Dylan, Michael Jackson, Stevie Wonder e outras estrelas que pendurassem seus egos nos cabides antes de entrar no estúdio, mas entre os brasileiros a recomendação não foi necessária. Com humildade e objetividade, os artistas decidiram que os solos deveriam ser dos nomes mais populares no momento, já que o objetivo final era atrair o maior número de compradores para o disco.
Sem maiores controvérsias, foram escalados António Carlos Jobim, Milton Nascimento, Rita Lee, Gal Costa, Djavan, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Fagner, as duplas formadas por Elba Ramalho e Gonzaguinha, Caetano Veloso e
Simone, Chico Buarque e Fafá de Belém e Roberto e Erasmo Carlos, com Elizeth Cardoso representando a velha guarda e o duo Paula Toller, do Kid Abelha, e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, a ala jovem. E, naturalmente, Tim Maia.
Depois da introdução com o piano soberano de Tom Jobim, Milton começava emocionado, acompanhado por Wagner Tiso, cantando as palavras de Tancredo Neves como herança das esperanças da Nova República:
'Nós não vamos nos dispersar,
juntos é tão bom, saber que passado o tormento,
será nosso esse chão.'
O ritmo entrava e Djavan iniciava as invocações:
“Água, dona da vida, ouve essa prece tão comovida.”
Rita Lee pedia com doçura:
“Chega, brinca na fonte, desce do monte, vem como amiga.”
E as 150 vozes famosas atacavam o refrão como uma torcida em um estádio, cada um com seu estilo, no seu ritmo pessoal, todos entusiasmadíssimos. O coro de estrelas soava tão desencontrado que ficava difícil entender a letra:
'Quero água de beber, um copo d’água,
marola mansa da maré, mulher amada,
depois da chuva, o sol da manhã.'
Seguiam-se os solos de Gal Costa e das duplas Elba Ramalho e Gonzaguinha, Chico Buarque e Fafá de Belém, Simone e Caetano Veloso.
As jovens vozes de Roger e Paula entravam harmonizadas em terças:
'Depois da chuva o sol da manhã'
Com a autoridade de uma rainha, Maria Bethânia consolava:
'Chega de mágoa, chega de tanto chorar.'
A 'Divina' Elizeth Cardoso cantava sozinha o refrão inteiro, com Gil fazendo as respostas. E, privilégio exclusivo da grande dama da canção, voltava para solar mais um verso:
“Depois da chuva o sol da manhã.”
O coro voltava com força total ao início da letra. Mal acabava o primeiro verso e uma voz de trovão estremecia o estúdio com uma fulminante frase de resposta. Daí para diante só deu Tim Maia, que tomou conta da gravação, respondendo à
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CHEGA DE MÁGOA
(criação coletiva) Gravadora: CBS/Coomusa
Lançamento: 1985 (Compacto Simples)
(MILTON)
Nós não vamos nos dispersar
Juntos é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão
(DJAVAN)
Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
(RITA LEE)
Chega
Brinca na fonte
Desce do monte
Vem como amiga
(CORO)
Te quero água de beber, um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã
(GAL)
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
(GONZAGUINHA)
Chama,
(ELBA)
Tem que ter feira,
(GONZAGUINHA)
Tem que ter festa,
(GONZAGUINHA E ELBA)
Vamos pra vida
(CHICO)
Te quero terra pra plantar,
(CHICO E FAFÁ)
Te quero verde
(CAETANO)
Te quero casa pra morar,
(CAETANO E SIMONE)
Te quero rede
(PAULA TOLLER E ROGER)
Depois da chuva o sol da manhã
(MARIA BETHÂNIA)
Chega de mágoa,
Chega de tanto penar
(CORO)
Canto, o nosso canto,
Joga no vento
Uma semente, gente
Olha essa gente
(ELISETE CARDOSO)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
(GILBERTO GIL)
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
(ELISETE CARDOSO)
Depois da chuva o sol da manhã
(CORO)
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
(CORO)
Gente
(ROBERTO CARLOS)
Quero te ver crescer bonita
(CORO)
Olha essa gente
(ERASMO CARLOS)
Quero te ver crescer feliz
(CORO)
Olha essa gente
(ROBERTO E ERASMO)
Olha essa terra, olha essa gente
(CORO)
Olha essa gente
(ROBERTO CARLOS)
Gente pra ser feliz, feliz
(CORO COM TIM MAIA)
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o sol da manhã
( FAGNER )
Chega de mágoa
Chega de tanto penar













