quinta-feira, junho 26, 2008

JUNINA IV: score vitorioso para o Xamegão

Enfim, o fim... (essa foi infame). Fizemos a curva e entramos na reta final dos festejos. Não por falta de gás dos nossos quadrilheiros (no bom sentido) e amantes do arrasta-pé e rala-buchos. Por eles a festa invadia o mês de julho engalanando o agosto com uma imensa ressaca. Êita povo disposto quando o assunto é folia. Nem nos meus melhores dias dispus dessa energia toda. Minha “secretaria para assuntos domésticos”, ontem, estava se escorando no rodo, quase moribunda. Mas olha que entre um ofego e outro já garantia sua presença no salão de dança mal seu coração desse o menor sinal de recuperação. A encapetada ligou direto os últimos cinco dias e se chegou ao quinto somente por força da inércia, é detalhe.
O fato é que já começamos a sentir o clima de bota-fora. Tristeza para alguns (a imensa maioria), alegria profunda para outros (somente eu e mais dois ou três desajustados). Mas em que pese meu eterno mal-humor e as sérias restrições que faço a esse modelo de Juninas, tenho de dar a cara aos bofetes e reconhecer que aqui, nas margens do Açude Grande, tudo correu nos conformes, dentro dos limites da boa convivência. Pelo menos até agora enquanto componho essas mal traçadas. E esse ano foi interessante pois por imperativos familiares acompanhei por quase dez dias o arraial de Mossoró, lá nas terras do Rio Grande. É que a casa de minha mãe, a D. Dione, fica bem defronte à versão potiguar do Xamegão. Querendo ou não, lá estava eu dentro do fuzuê. Foi muito legal, quando não para proporcionar um paralelo muito elucidativo entre o lá e o cá.
Em primeiro lugar vejamos os aspectos, digamos, mais técnicos, onde a gente perde por alguns pontos. Pudera. O orçamento de Mossoró é enorme. As parcerias para o evento são largas e fartas. Os incentivos externos deixaria o nosso Alcaide em êxtase. Aqui, o lance é se virar com o que se tem tirando leite de pedras. Ornamentação, disposição de espaços, palcos, sonorização e iluminação, deixam Mossoró uns metros a nossa frente. Mas já dizia o profeta, quero ver fazer aquilo liso... E falando em som, pego o gancho e lanço os olhos sobre os outros ângulos da festa. Em termos de qualidade de sonorização, empatamos. Mesmo Mossoró dispondo de dois palcos e o Xamegão apenas um. Mas ganhamos de longe no que tange a utilização racional dos decibéis. Uma coisa que me irrita profundamente é aquele negócio da extrapolação da potência sonora. Se por ventura eu promover um evento, quero crer que a sonorização deverá cobrir bem (no aspecto quantitativo e qualitativo) o espaço físico reservado à festa. Não me interessa jogar o som lá na casa do cacete. Mas é o que fazem. O som é tão alto que parece que os organizadores querem retirar você de sua casa a força e levar até o dancing. Os idiotas esquecem que quem não está no frejo é porque não quer lá estar. Ano passado, em Mossoró, o problema do som nas alturas despertou atenção do Ministério Público que chegou a intervir. Mas parece que este ano a coisa voltou ao dantes. Gente, o volume do som é estúpido. Faz a gente passar mal. E não adianta vedar os ouvidos com cimento. Fica a vibração violenta do baixo e do pedal da bateria naquela conformação de equalização que os retardados chamam de “peso”. Aqui em Cajazeiras a gente percebe uma correta exploração dos amplificadores. Nos horários iniciais da festa a sonorização abre seus volumes. Mas notamos um decréscimo à medida que a hora avança. Dez a zero pra gente.
Efusivas congratulações também ao cajazeirense e suas forças de segurança. Os brincantes, os meninos e meninas do 6º Batalhão, o pessoal do trânsito, as delegacias civis, os bombeiros, todos de parabéns. Tudo nos conformes até o momento, todo mundo respirando e com os membros nos lugares devidos. Mesmo nossos boxers deram uma folga neste Xamegão que registrou esse ano uma quantidade menor de queixos quebrados por metro de forró. Mal o cara levantava o braço, nem que fosse pra se coçar, já encontrava um PM de olho na micose. Uma beleza isso. Já em Mossoró, meus caros, foram quatro mortes na primeira semana, e já dias atrás me ligava D. Dione informando de outro falecimento acompanhado por três feridos. À bala, pode? Quando por lá estava cheguei a estranhar a patente ausência da farda no meio da folia. Acostumado que estou (cajazeiramente bem acostumado) em vislumbrar um atento agente de segurança pra onde me virar em qualquer evento de massa, ficava meio ressabiado com os claros do arraial mossoroense. Não deu outra: Um monte de defuntos como saldo.
Atrações. Aqui a gente perde. Mas por incrível que pareça por milímetros de margem. No geral, a espinha dorsal dos dois eventos são as bandas de forró eletrônico, aquelas merdas sem as quais o povo não vive. Atração de nível nacional a gente empata com Mossoró. Lá, o Araketu. Aqui o Bonde do Maluco. Ou seja, duas grandessíssimas bostas. Zero a zero, pois. Perdemos no quesito “atrações de bom gosto”. Aqui, exceto uma ou outra agremiação local, como o valente Chico Amaro, nada a registrar (O Moraes não conta... como disse antes, ele não veio). Em Mossoró, o Clã Brasil (um espetáculo), Amazan e o Flávio José. E o Nando Cordel também. As meninas do Clã Brasil derramaram sobre todos beleza, alegria e ritmo. Só lembrei do Moraes, que não veio.... Quem????? O Beto Barbosa???? Nooossa, ele está vivo!?!?!?!?!?
Em suma, entre mortos e feridos escapamos todos pois que disso não houve, pelo menos enquanto escrevo. Esperamos que assim continue. E vou confessar: estou com uma pontinha de saudade. Já sinto falta da festa (que não fui). E pra não dizer que sou um recalcado anti-social estraga prazeres, vou garantir minha visita ao Xamegão numa dessas últimas noites. Quando não pra conferir se o Beto Barbosa ainda respira sem a ajuda de aparelhos.

Um comentário:

Lucas disse...

"O fato é que já começamos a sentir o clima de bota-fora. Tristeza para alguns (a imensa maioria), alegria profunda para outros (somente eu e mais dois ou três desajustados)."
Pois é caríssimo Sr. Gurgell, poderia sim incluir nessa seleta lista pessoas como eu, pobre empregado do Estado, que se vê obrigado a aturar aquela "ladainha" toda noite, em pé, fazendo a segurança de alguns bêbados e drogados, que ao invês de apreciar o espetáculo(que é uma grandessíssima merda pra min) vai "bulinar" com a mulher dos outros, e arrumar briga pra provar quem tem mais colhões numa contenda, antes da políocia chegar e apaziguar os ânimos.